Pesquisa

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Aplicação da matemática para tomar uma decisão

Já deve ter se deparado, num supermercado, onde, por exemplo, você quer comprar um chocolate em pó e verifica-se o mesmo produto vendido em embalagens de $400\text{g}$ e $1{,}3\text{kg}$ com os seguintes preços:


Que critério você utilizaria para fazer uma das seguintes escolhas para comprar o achocolatado: Leva três latas de $400\text{g}$ ou um pacote de $1{,}3\text{kg}$?

Este problema é aberto e não tem uma única resposta certa, já que cada um iria aplicar o seu critério, mas, vamos mostrar duas formas de aplicar a matemática para decidir entre uma embalagem de $1{,}3\text{kg}$ ou três embalagens de $400\text{g}$.

SITUAÇÃO 1: vamos considerar que há uma necessidade de economizar o máximo possível, então, três embalagens de $400\text{g}$ é equivalente a $1200\text{g}=1{,}2\text{kg}$ onde você irá pagar $$\text{R}\$(3\cdot 4{,}50)=\text{R}\$13{,}50$$ que é menor do que $\text{R}\$14{,}30$ que é o preço do achocolatado da embalagem de $1{,}3\text{kg}$. Nesta situação, a melhor escolha é comprar três latas de $400\text{g}$ de achocolatado. Desta forma, você deixaria de levar $100\text{g}$ de achocolatado, mas isso não é problemas, porque estará economizando $\text{R}\$0,80$ é isso é o mais importante, observando o critério adotado!

SITUAÇÃO 2: vamos considerar que você queira levar o mais vantajoso, ou seja, se pudéssemos  colocar as duas ofertas em embalagens de mesma quantidade e com valor de venda proporcional ao preço de cada oferta, o mais vantajoso seria a mais barata. Assim, devemos colocar as quantidades de cada embalagem numa mesma unidade de medida, por exemplo $400\text{g}=0{,}4\text{kg}$. Em seguida, vamos dividir o preço pela quantidade, em $\text{kg}$, e encontrar o valor de $1\text{kg}$ do achocolatado em cada oferta. Assim, vamos tomar como oferta 1 o preço do achocolatado na embalagem de $1{,}3\text{kg}$, e oferta 2 o preço do achocolatado na embalagem de $400\text{g}=0{,}4\text{kg}$

$$\begin{array}{dclcl}
\text{oferta 1} & = & \dfrac{\text{R\$}14{,}30}{1{,}3\text{kg}} & = & \text{R\$}11{,}00/\text{kg} \\
\text{oferta 2} & = & \dfrac{\text{R\$}4{,}50}{0{,}4\text{kg}} & = & \text{R\$}11{,}25/\text{kg}
\end{array}$$

Desta forma, verificamos que o achocolatado da oferta 1, na embalagem de $1{,}3\text{kg}$, é mais vantajoso que o achocolatado da oferta 2, na embalagem de $400\text{g}$.

Veja que estes cálculos, embora simples, são trabalhosos para fazer mentalmente, desta forma, sugiro que leve uma calculadora (pode ser a do celular) sempre que for ao mercado. Que critério você iria adotar para escolher entre as duas ofertas? Deixe seus comentários.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Elipse como sendo o lugar geométrico dos centros das circunferências tangentes a uma circunferência $d$, com centro $C$ e raio $r$, e que passa por um ponto $F\neq C$ interno à $d$

Nesta postagem, vamos responder a seguinte pergunta: Qual o lugar geométrico dos centros das circunferências tangentes a uma circunferência $d$, com centro $C$ e raio $r$, e que passa por um ponto $F\neq C$ interno à $d$? Na postagem Associando pontos da circunferência a uma elipse ou hipérbole, apresenta uma construção que sugere que a resposta da nossa pergunta é uma elipse. Assim, vamos provar a nossa tese.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Utilizando uma circunferência para construir uma hipérbole

Vamos fazer um estudo sobre a hipérbole que pode ser obtida a partida da construção da postagem no link http://www.benditamatematica.com/2017/07/associando-pontos-da-circunferencia-uma.html.

A definição mais usual para hipérbole é
Sejam $F_1$ e $F_2$ dois pontos distintos do planos e $2c$ é a distância entre eles. A hipérbole é o lugar geométrico do ponto $P$ tal que a diferença das distância entre $P$ e cada um dos focos é $2a$, com $0 < a < c$ 


Na Construção 1, vamos considerar que a circunferência $d$ tem raio $p$, ou seja, $\overline{CP_1}=p$, a distância entre $P_1$ e $P$ será $m$, como $P$ é equidistante de $P_1$ e $F$, então, $\overline{P_1P}=\overline{PF}=m$, ver Figura 1.

Figura 1
Assim, temos:


$$\left\{\begin{array}{l}

\overline{CP}=p+m \\

\overline{PF}=m

\end{array}\right.\Rightarrow \left|\overline{CP}-\overline{PF}\right|=\left|p+m-m\right|=p$$

Deste modo, verificamos que quando $F$ é externo a $d$, o lugar geométrico de $P$ é uma hipérbole com foco $C$ e $F$. Na Figura 2, os pontos $A_1$ e $A_2$ são os vértices da parábola, assim $\overline{A_1A_2}$ é o eixo focal, $A_1$ é associado ao ponto $A'_1$ e $A_2$ é associado ao ponto $A'_2$. Sendo $p$ o raio de $d$ e $n$ a distância entre $A_2$ e $F$, vamos determinar a medida $2a$ do eixo focal.
Figura 2
A distância entre $A_1$ e $F$ é
$$d(A'_1,F)=2p+2n$$
Como $A_1$ é ponto médio de $A'_1$ e $F$, então
$$d(A_1,F)=\frac{d(A'_1,F)}{2}=\frac{2p+2n}{2}=p+n$$
Veremos que a distância entre os vértices da hipérbole é igual ao raio da circunferência $d$
$$d(A_1,A_2)=d(A_1,F)-d(A_2,F)=p+n-n=p$$
Como $A_2$ é o ponto médio entre $A'_2$ e $F$, então, a distância, 2c, entre os focos $C$ e $F$ é
$$d(C,F)=d(C,A'_2)+d(A'_2,F)=p+2n$$

Na Figura 3, $M$ é o centro da hipérbole e $\overline{B_1B_2}$ é o eixo não focal. Então, $\overline{MA_2}=\dfrac{p}{2}$ e $\overline{B_1A_2}=\dfrac{p+2n}{2}$. Vamos determina a medida $2b$ do eixo não focal utilizando a relação
$$c^2=a^2+b^2\Rightarrow\left( \dfrac{p+2n}{2} \right)^2=\left( \dfrac{p}{2} \right)^2+b^2 \Rightarrow b=\dfrac{\sqrt{n\left( 2p+n \right)}}{2}\Rightarrow \overline{B_1B_2}=2b=\sqrt{n\left( 2p+n \right)}$$
Figura 3
Sejam as reta $t_1$ e $t_2$ tangentes à circunferência $d$ nos pontos $P_1$ e $P_2$, respectivamente, e passam por $F$. Neste caso, não há circunferência que tangencie $d$ em $P_1$ ou $P_2$ e passe por $F$. Desta forma, vamos mostrar que as mediatrizes de $\overline{P_1F}$ e $\overline{P_2F}$ são as assíntotas da parábola.

Sabemos que as assíntotas têm coeficientes angulares $\dfrac{b}{a}$ e $-\dfrac{b}{a}$ e passa pelo centro da hipérbole. Assim, considere a Figura 4.
Figura 4
A circunferência $e$ tem centro em $M$ e raio $c=\overline{MF}=\dfrac{p+2n}{2}$, $P_1$ pertence a interseção de $d$ e $e$ e $t_1=\overline{P_1F}$. 

O triângulo $\triangle CP_1F$ é retângulo em $P_1$, pois $C\widehat{P_1}F=90^\circ$ porque é o ângulo do arco capaz da diagonal  de $e$. Como $\overline{CP_1}=2a$ e $\overline{CF}=2c$, então $\overline{P_1F}=2b=\sqrt{n\left( 20+n \right)}$, por causa da relação $c^2=a^2+b^2$. Então, temos $$tg \left(C\widehat{P_1}F\right)=\frac{2b}{2a}=\frac{b}{a}=\frac{2\sqrt{n\left( 20+n \right)}}{p}$$
A mediatriz $s$ de $P_1$ e $F$ é perpendicular a $\overline{P_1F}$, então, $s // \overline{CP_1}$ e, como $M$ é equidistante de $P_1$ e $F$, então $s$ passa por $M$, logo $s$ é assíntota da hipérbole. De forma análoga, podemos mostrar que a mediatriz entre entre $F$ e $P_2$, o outro ponto de interseção entre $d$ e $e$, é a outra assíntota da parábola, ver Figura 5.
Figura 5